Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

EXTERMINADOR DO FUTURO - A SALVAÇÃO

Sem o criador e diretor James Cameron desde o filme anterior, e agora sem o andróide republicano (não confundir com replicante, esse era de Blade Runner) Schwarzenegger, a série de ficção científica mais popular do cinema depois de star wars sobrevive e parece ter fôlego para ir ainda muito mais longe! Christian Bale interpreta um John Connor maduro, com seus trinta e poucos anos em 2018, enquanto Anton Yelshin representa seu pai (!) kyle Reese, ainda adolescente nesse mesmo futuro pós-apocalíptico, gerando um paradoxo interessantíssimo que, aliás, poderia ter sido um pouco melhor explorado no roteiro. A direção também não é das melhores, mas o pouco conhecido McG (Joseph McGinty Nichol) pelo menos faz bem melhor, nessa superprodução, do que fizera com os dois filmes d’As panteras. Pudera! Depois que o próprio Cameron desdobrou o roteiro simplíssimo do primeiro filme (em Terminator II) mostrando o jovem John Connor começando sua luta insólita contra um futuro aterrorizante e mais ou menos conhecido, abriu-se todo um fantástico universo de possibilidades a serem exploradas, entre as viagens no tempo e seus paradoxos assustadores, imensas máquinas de guerra que só poderiam ficar mais impressionantes a cada novo filme, e uma história de resistência da raça humana lutando desesperadamente contra as máquinas criadas à imagem e semelhança de sua própria crueldade. Somem-se a isso as perseguições automobilísticas espetaculares, agora incrementadas pela presença das futuristas naves de guerra e dos moto-exterminadores, e um novo e curioso personagem, Marcus Wright (Sam Worthington) que sequer tem certeza de quem ou o que é e a que época pertence.Salvação traz ainda ainda Moon Bloodgood no papel da guerreira Blair Williams, ofuscando Brice Howard Dallas a quem deram o papel de uma Kate Connor (ex Kate Brewster) grávida e pouco significativa. Outra personagem importante é a pequena Star (Jadagrace), uma menina negra de uns dez anos que acompanha e auxilia o jovem Kyle em sua desigual luta contra as máquinas, dando um gostinho de Frank Miller ao roteiro de John Brancato e Michael Ferris.

Falando em “gostinho”, tem uma cena em que aparece um depósito de combustíveis, que acaba explodindo, com os carros sucateados e tunados fugindo de um robô gigante lembrando o genial Mad Max 2 (exceto pelo robô gigante... rs). Se foi uma homenagem deliberada, bastante justa, afinal o estilo da aventura deve alguma coisa aos pioneiros futurist road movies protagonizados pelo então jovem Mel Gibson. Homenagem ou não, outra cena curiosa foi o momento em que em que John Connor fala no rádio algo parecido com “não somos máquinas, somos homens”, lembrando Charlie Chaplin em “O grande ditador”.

Assisti o Exterminador do Futuro em 1985, no extinto cine Inajá, quando tinha 15 anos! ontem, fui ao cinema com meu filho Leon, de 15 anos, assistir o Exterminador do Futuro 4, ou simplesmente Terminator Salvation; como fã de ficção científica no cinema desde aquele outro século, não poderia deixar de escrever e publicar aqui minha modesta crítica!


Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

ZEITGEIST - o espírito do tempo e o fantasma das conspirações

assisti ontem o filme Zeitgeist, e acabei em seguida dissertando um pouquinho sobre minhas impressões...

O filme começa com belíssimas animações e imagens científicas (me pareceram extraídas da clássica série “cosmos”, de Carl Sagan, mas não é o que diz a referência) logo substituídas por cenas da tragédia do WTC e de diversas guerras. Em seguida entra uma narrativa e um discurso, respectivamente atribuídos a Jordan Maxuell e George Callin, este último fazendo chacota com as instituições religiosas e seu paradoxal Deus amoroso, impiedoso e capitalista. O discurso é acompanhado de divertidas animações, e só esta introdução cheia de efeitos (especiais e psicológicos) já nos dá a idéia de que Zeitgeist é uma cuidadosa produção e, embora contrária à tendência da grande mídia, também bastante tendenciosa e não necessariamente “independente”.

A primeira parte fala sobre religião, e utiliza-se bastante dos livros do egiptólogo Gerald Massey, que compara semelhanças entre o “mito” Jesus Cristo e outros mitos mais antigos, especialmente de Horus, uma espécie de “messias” egípcio (segundo Massey), filho do Deus-Sol. O paralelo entre os dois símbolos religiosos é bastante interessante, mas o filme comete a grande gafe de sensacionalizar as informações apresentadas, ironizando e desprezando as diversas crenças dos povos antigos, e especialmente o judaísmo e o cristianismo. Mesmo assim, o ponto mais importante desta primeira parte do filme são justamente as informações teológicas (e astrológicas); mas a narrativa cai em contradição ao desdenhar a religião e a teologia, chamando a ambas de “grandes mentiras”, embora se utilize justamente de conhecimentos da teologia, ou seja, o estudo das religiões, em seu aspecto histórico-científico. Em minha opinião, o exagero em tentar desacreditar as religiões e a própria fé, sem mostrar os aspectos positivos/humanos e respeitar a importância antropológica das culturas religiosas pode ter comprometido a credibilidade sobre todo o belíssimo, impressionante e revolucionário trabalho de pesquisa e produção do filme, que termina falando em amor e revolução, mostrando frases e fotos de Hendrix, Lennon, Luther king, Gandhi e Carl Sagan (frases que parecem, em certo sentido, bastante “religiosas”), sem poder incluir entre esses “heróis” qualquer frase de Jesus Cristo, depois de ter insinuado que esse personagem pode nunca ter existido... Assim, fica a impressão de que o excelente material apresentado nas partes seguintes do filme, com importantes informações que governos, mídia e história oficial(?) preocuparam-se em esconder ou distorcer, foi utilizado tendenciosamente, associado pela produção do filme a uma infeliz propaganda anti-religiosa que, uma vez radical, assemelha-se muito ao que dentro das religiões chamamos de fanatismo. Ou então, os produtores do filme simplesmente descobriram, de repente, os livros de Gerald Massey (que já têm aproximadamente um século!), ficaram impressionados com as informações sobre os paralelos entre as antigas religiões, acreditaram em tudo sem buscar as refutações de outros pesquisadores, acharam que tinham aí revelações bombásticas sobre a manipulação dos povos através da criação de mitos religiosos, e que tais informações bastariam para desmascarar toda instituição religiosa. Melhor seria se, utilizando a mesma linha adotada nas partes seguintes, tivessem neste segmento mostrado mais dados históricos (e até mesmo especulações) sobre a forma como o império romano e mais tarde outros tantos impérios apoderaram-se dos mitos (ainda não manipuladores e geralmente opositores dos sistemas de poder, em suas origens). Se Cristo é um mito e a definição utilizada para tal é de que “mito” é uma “falsa idéia” capaz de arregimentar uma imensidão de seguidores, qual argumento excluiria as imagens-símbolos de Hendrix e Lennon dessa mesma classificação? Além disso, existe para os pesquisadores um Cristo histórico, procurado e hoje já encontrado em outras pistas além dos muitos evangelhos (dos quais apenas quatro compõe a bíblia oficializada), e este, como personagem potencialmente humano, é completamente ignorado em Zeitgeist. Como mensagem de conscientização e de revolução através da consciência, esta primeira parte do filme fracassa ao “rotular” o cristianismo como um instrumento apenas de alienação, esquecendo-se que em sua origem os próprios cristãos eram revolucionários, idealistas e extremamente perseguidos por Roma, quando não pelos próprios religiosos judeus; mas salva-se pela riqueza de informações, que nos atiçam a curiosidade, e pela ótima qualidade da edição. No fim, todas as curiosidades sobre os paralelos (não plágios!) entre os mitos religiosos acabam, ao contrário do que dizem os narradores, reforçando a idéia da importância e dos mistérios que estes possuem na história da humanidade; mas a tendência anti-cristã pode também, como mencionei acima, desacreditar o trabalho como um todo, para muitos cristãos que não fazem a distinção entre mito, fé e história!

Na segunda parte, o filme fala quase exclusivamente sobre os eventos do “11 de setembro”. Eu já tinha visto outro filme, Loose Change, sobre a suposta conspiração do próprio governo americano aliado a banqueiros com interesses em obter lucros com a guerra, que teriam deliberadamente planejado ou ao menos participado dos ataques às torres do WTC e ao pentágono. Muitas informações, especialmente coisas que já tinham aparecido na mídia, repetem-se em ambos, outras se somam, mostrando um contexto em parte exibido pela própria mídia americana, em parte montado através de entrevistas exclusivas e especulações dos autores, onde é impossível não acreditar que, no mínimo, o governo americano esconde (e/ou confunde) a maior parte das informações reais acerca da tragédia. Causou-me um calafrio a foto mostrada de uma coluna de aço ‘cortada’ em diagonal, entre os destroços, exatamente como o engenheiro explicava que as vigas eram cortadas ao se preparar uma demolição; e em seguida o vídeo mostra o físico Dr. Steven Jones, que analisou destroços de metal fundido das estruturas do WTC e encontrou traços de “Termite” e “Thermate”, uma mistura química utilizada exclusivamente pelas indústrias de demolição controlada (essa informação foi recentemente confirmada em artigo numa publicação científica, The open Chemical phisics journal). Há outros indícios de que os prédios (as torres 1, 2 e 7, esta última, de 57 andares, misteriosamente ignorada pela mídia) foram mesmo preparados para implodir, mas esta versão permanece negada pelos relatórios oficiais até hoje...

A terceira parte fala sobre a economia, inclusive de guerra. Num passeio documental pela história econômica norte-americana, vemos como o sonho de liberdade foi vendido aos grandes banqueiros e a manipulação de uma série de importantes leis vem produzindo um poder econômico privado, brutal e há muito incontrolável (embora extremamente controlador) acima de todo e qualquer governo, caminhando em direção a um poder totalitário, centralizador sobre todas as economias (e vidas) do mundo. As partes mais interessantes ficam por conta do discurso de John Kennedy, proferido pouco antes de seu assassinato, ; e as explicações sobre como e porque os Estados Unidos realmente teriam participado das grandes guerras e da guerra do Vietnã, forçando ou forjando ataques inimigos, prática bastante aprimorada através das décadas até culminar em... 11 de setembro de 2001!
Bom, o final do filme eu já contei, né... hahaha. Engraçado que ao ouvir as palavras de Carl Sagan, falando sobre uma “nova consciência, que vê a Terra como um só organismo”, eu lembrei (além do Fritjof Capra) justamente de Leonardo Boff, ex-padre, ex-adepto da Teologia da Libertação e atualmente seguidor dessa linha holística, uma espécie de “Ecoteologia”, mas ainda assim teologia... afinal, se não tivermos a dúvida e a esperança de e em um Deus, de onde viemos e pra onde vamos???

Num balanço geral, o filme é muito bom, chega a ser emocionante em vários trechos, e aliás, foi produzido e editado justamente com essa intenção; o que também o torna tendencioso, ideológico, quase doutrinário, e vale ainda citar que alguns trechos reproduzem inflamados discursos anti-religiosos ou anti-capitalistas, feitos por apresentadores de televisão americanos que se utilizam exatamente das mesmas técnicas de retórica usadas por pastores evangélicos radicais e políticos populistas! Mas a grande questão que o filme propõe é real, e bastante séria: vida, morte e informação estão sendo manipuladas por pessoas, governos e instituições muito poderosas, talvez como nunca antes! Voltarei a falar sobre Zeitgeist e o 11/09 num próximo texto onde comentarei o Loose Change, outro filme um pouco mais jornalístico, acerca deste mesmo assunto!

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

i´m back

De volta ao acesso discado depois de uma infeliz experiência com o “tim conect fast” 2G no final do ano passado (que contabilizava e cobrava cerca de 3 vezes o número de megabites que o próprio programa do modem TIM registrava em meu pc, dentro do plano então limitado de 1 giga) e, nos últimos meses, grandes dificuldades de acesso discado via Brasil Telecom devido a problemas técnicos, tanto no meu pc quanto na linha telefônica. Este último problema, nos cabos da Brasil Telecom, permanece e limita ainda mais o pobre acesso discado devido aos ruídos na linha (a velocidade média notificada pelo discador é de 24 kbs). Mas pelo menos o meu pc voltou a funcionar melhor depois do trato que o pessoal da Logic Station deu nele recentemente, relacionado ao superaquecimento do processador, e da limpeza e reorganização dos arquivos que estou fazendo nos dois hds, carregados no limite. A principal razão da minha “desconexão” do mundo virtual, no entanto, era o modem discado, um genérico onboard da placa mãe que só conectava de vez em quando depois de muitas tentativas e inúmeras desculpas e mensagens de erros (queria ter feito uma lista de todas essas mensagens... gravei algumas delas, até engraçadas, em algum lugar ...). Bem, troquei o modem! e até que ele queime por causa da instabilidade elétrica na rede telefônica ou aconteça qualquer outro problema, estou de volta à internet via acesso discado, especialmente em algumas dessas madrugadas geladas aqui perto da margem do outro lado do rio Pitangui, ou na língua nativa, em amossoba-pitanga-indaba!
Deverei retomar, no blog, a idéia original de comentar cinema, literatura, quadrinhos e artes afins; mas as atualizações dependerão da disponibilidade da minha conexão ou de utilizar outros meios como as lan-houses, que redescobri recentemente depois de uma fase atemporal sem TV nem internet em casa, mas produzindo e divulgando meu livro Desenhos de Linguagem, o que me obrigou a me tornar menos eremita e um pouquinho mais cidadão ou, como um certo personagem onde a ficção inspira a vida, um curumim urbano.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

diariodebordo

hoje encontrei uma figura muito incrível: o Leonel, vulgo cacique payakan... de pelotas?!
troquei muitas idéias com esse viajante de magrela q tá indo de Pelotas/RS a Brasília pra falar com o presidente pra ajudar toda essa gente...
vou contar isso e postar as fotos e conversas dele depois.

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

A volta dos blogueiros

Olá. Criei esse blog no final de 2007 e acabei abandonando-o por falta de tempo, de recursos já que onde moro só tinha internet discada, que ainda por cima praticamente deixou de funcionar de uns meses pra cá (o que vc consegue fazer numa conexão a 19 kbps, paga por minuto?), e pela dificuldade de conciliação entre os diversos projetos artísticos e, nos últimos meses, minha experiência como candidato a vereador reperesentando a causa ambiental e cultural na cidade de Ponta Grossa e dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Em função das eleições e da necessidade de criar um website com minhas propostas e voltar a trabalhar com a rmc aqui na chácara, adquiri um modem de internet via celular, da tim (q estava sendo usado pelos meus filhos), e voltei a postar minhas artes nos fotologs do Tupinanquim e no "Artmannia". Trabalhei bastante no último mês com a página de candidato, que hospedei em outro servidor de blogs, o wordpress. A página ficou muito boa, elogiada pelas pessoas que conseguiram visitá-la especialmente na última semana antes das eleições; mas o resultado do ponto de vista eleitoral ficou bem abaixo das expectativas, já que o povo ainda não está habituado a buscar propostas de seus candidatos via internet, e a própria lei dificultou bastante a divulgação, limitando o uso da net e priviligiando a velha tradição de encher as ruas com milhões de santinhos, e ganhar votos no cansaço através da repetição exaustiva e irritante dos jingles de campanha tocados por carros e caminhões equipados com auto-falantes.

De qualquer forma, gostei da experiência de produzir um blog obrigatoriamente atraente e regularmente atualizável, e pensei em dar continuidade ao projeto de um blog artístico e com tema ecológico dentro do próprio wordpress. No entanto, o blog de campanha teve que ser retirado do ar pouco antes da eleição cumprindo a questionável lei; tentei importar a base do mesmo em xml mas não sei se por problemas de conexão, que continua lenta via modem da tim, dos servidores ou por falta de conhecimento mesmo, não deu certo; o projeto do blog “artmannia” falando de arte e ecologia e até política continua em pé e aos poucos estarei colocando-o em prática. Enquanto isso, resolvi voltar aos velhos bloggers do Tupinanquim e ao Erê Catu, que como projeto de um jornal e de um website, já tinha o subtítulo “artes e ecologia”. Na descrição do blog resolvi omitir a ecologia e torná-lo mais específico do tema “ficção”, e é com esse tema que retomarei as próximas postagens, falando especialmente de cinema, animação e também dos meus próprios projetos nas áreas dos quadrinhos e literatura. Falar de ecologia e política, porém, hoje pra mim é inevitável, e de uma forma ou de outra, mesmo dentro dos temas artísticos propostos, elas estarão presentes!

A ecologia e os meus projetos nos quadrinhos e na animação também estarão presentes no blog do Tupi, que agora passa a se chamar Tupifanzim, outro velho projeto que vinha sendo adiado pelas dificuldades técnicas... E por falar no curumim, estamos na semana deles, dos nossos curumins e cunhantãs, piás, moleques, guris, garotos, crianças do nosso Brasil; e pra todas elas postamos a animação Vigília pra ver o cometa e outras novidades direto da fabulosa Itaquessaba!

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

O ANDRÓIDE E O CURUMIM


O ANDRÓIDE E O CURUMIM

Fiz este desenho ontem, no dia da exibição do filme do Proyas na tv globo, e postei-o hoje no fotolog do Tupinanquim. Resolvi postar a imagem também aqui, já que o desenho é relacionado ao filme (ou “sugerido” por ele... hehe), que foi tema do artigo com o qual inaugurei este blog (veja abaixo). Sobre o robô, já falei bastante; e sobre o Tupinanquim, o curumim urbanóide... bem, você deve conhecê-lo, pois é bem provável que tenha chegado até aqui seguindo as migalhas de pão, digo, as referências deixadas em páginas relacionadas a ele, meu personagem mais conhecido. De qualquer forma, aí está o endereço do fotolog do Tupi, que já teve quase 150 postagens e portanto conta muuuuuuuuuuuuuuuuuuita coisa sobre todo o universo do personagem: http://fotolog.terra.com.br/tupinanquim10

LANÇAMENTO:

E por falar no universo do Tupi, será lançado hoje à noite, no teatro Ópera aqui em Ponta Grossa, o livro que traz as estórias premiadas no concurso municipal de contos do ano passado, 2006. O meu conto “O senhor do caminho”, menção honrosa no concurso, integra a obra; trata-se de uma aventura onde um casal de pesquisadores, inspirados em personagens reais que talvez você consiga reconhecer, buscam referências arqueológicas das antigas trilhas utilizadas pelos índios guarani e outros povos. Em sua pesquisa, acabam indo atrás de um velho índio, personagem já folclórico na região de Itaquessaba, no norte pioneiro do Paraná; e a expedição dos jovens acaba conduzindo-os a descobertas surpreendentes, que envolvem segredos milenares dos antigos povos sul-americanos.

Você deve estar pensando “tá, é uma aventura arqueológica, mas o que tem haver com o universo do curumim urbano?”. simples: além da história desvendar em parte a origem da cidade de Itaquessaba, o velho índio envolvido na trama é na verdade o avô materno do Tupi, o Tapejara, que já participou de uma história em quadrinhos completa que por estranhas razões permanece inédita, e também já foi mencionado algumas vezes em textos sobre a cidade e a família do Tupinanquim, no fotolog. Por outro lado, o conto segue uma linha diferente das histórias do Tupi que já foram publicadas, e essa relação, que não é mencionada na narrativa, não implica em seqüências nem na necessidade de qualquer conhecimento do universo ficcional do Tupinanquim.

Se você mora em Ponta Grossa, está convidado a participar do lançamento do livro, hoje, 17 de dezembro, às 20 horas no cine-teatro Ópera. Voltarei a comentar sobre o livro e também sobre esta e outras lendas que envolvem a cidade de Itaquessaba, em breve!

Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Eu, robô: o livro, o filme, e a redenção de Alex Proyas

Olá, pessoal. estou iniciando hoje este blog, um projeto antigo que foi adiado por falta de tempo e de condições práticas, já que moro e trabalho numa chácara longe do acesso à internet rápida; mesmo com as limitações, inicio hoje o blog Erê catu com a proposta e o compromisso de atualizá-lo mais ou menos duas vez por semana, pra falar sobre quadrinhos, cinema, literatura; arte, enfim, muita arte!!!!!

Erick Artmann


O primeiro artigo, ou ensaio, se preferir, é uma breve e oportuna reflexão sobre o filme "Eu, robô", q será exibido nesta segunda, 17 de dezembro, pela primeira vez na tv aberta (Globo, 22h, em 'Tela quente').



EU ROBÔ: mais um clássico da "história do futuro"?!

“Sugerido pelo livro de Isaac Asimov”, conforme consta nos créditos finais, o filme “Eu, robô”, dirigido por Alex Proyas e lançado em 2004 utiliza-se de conceitos, características e personagens apresentados por Isaac Asimov na coletânea de contos do livro homônimo para contar uma outra história, escrita por Jeff Vintar e Akiva Goldsman de uma forma semelhante (e também inversa) ao que fizeram escritores como Ann C. Crispin, Jean Lorrah e M.S. Murdock nos anos 80 e 90 quando escreveram romances baseados na série de TV e de cinema Star Trek. Além disso, é evidente que o diretor Proyas e seus produtores preferiram dar um ritmo frenético ao filme, privilegiando a ação e ingredientes “policiais” tão típicos de Hollywood. Feitas essas ressalvas, o que tenho a afirmar é que “Eu, robô” é uma das melhores aventuras futuristas produzidas pelo cinema nesta década! A trama é simplesmente genial, os efeitos visuais são convincentes (e alguns espetaculares), gerando cenários urbanos onde os robôs aparecem bem adaptados, convivendo naturalmente (mas apenas profissional, e não socialmente, conforme se apresenta o contexto) com as pessoas; e Will Smith repete uma excelente interpretação como protagonista de um gênero de ação e aventura mais sério do que os MIBs e IDs da vida, como já o tínhamos visto em “Inimigo de Estado”.

Por outro lado, apesar da liberdade de recriação de que se dispusera Proyas, sempre é bom aproveitar as oportunidades que surgem pra refletir sobre o universo fabuloso de Asimov, a própria literatura de ficção científica e suas versões para o cinema. Assim, não há como não comparar esta com a outra grande adaptação de Asimov, “O homem bicentenário”, de Chris Columbus (1999), onde o robô Andrew é o protagonista principal, interpretado por Robin Williams. Ambas ótimas produções, ambas são aventuras, uma mais filosófica e até “comovente”, outra mais adrenalina, mas ainda assim filosófica como toda boa obra de ficção científica o é, seja na literatura ou no cinema. Agora, se imaginarmos que a extensa bibliografia de Asimov de ficções sobre robôs se passa toda em único universo fantástico, que culminará com as grandiosas sagas Fundação e Império Galáctico, avançando radicalmente a um futuro de conquistas tecnológicas e espaciais, chama-nos a atenção algumas importantes diferenças nas formas como o século XXI é retratado em ambos os filmes: por exemplo, em “Eu, robô”, os robôs são padronizados, fabricados em séries homogênicas (NS-4, NS-5...) e por isso acho que só vemos dois, talvez três modelos de robôs humanóides, bem menos do que vimos em “o homem bicentenário”. E, é claro, os andróides do filme de Proyas já são produzidos apenas em computação gráfica, e o ator Alan Tudyk representa o robô Sonny apenas através da voz e de gestos que foram digitalizados, sem as expressões faciais que deram o charme especial do ator Robin Williams ao personagem Andrew. Mas além das diferenças óbvias apresentadas pelas duas produções diferenciadas no cinema, que definitivamente não estão interligadas entre si (uma é da Fox, outra da Columbia), é importante observarmos a cronologia em que as histórias originais foram escritas: o conto "The Bicentennial Man" foi publicado em 1976 e mais tarde transformado em romance em parceria com Robert Silverberg (The Positronic Man, 1993); já I, robot é um livro de contos publicado em 1950, um ano antes do primeiro romance da série ‘Fundação’; aqui aparecem, pela primeira vez, as três leis da robótica, que são citadas em ambos os filmes e em tantas histórias originais de diferentes sagas assimovianas; ou seja, a ligação entre as obras originais de Asimov muitas vezes é mais sutil, indireta, como ocorre com os contos que compõe o livro em questão.

Mais importante do que buscar diferenças ou semelhanças entre as obras escritas e filmadas, talvez seja realmente questionar como a mensagem idealizada e o próprio pensamento do autor em relação aos temas explorados são transportados aos filmes; e embora eu não seja um leitor incondicional de Asimov, como fã e estudioso do gênero Ficção Científica na literatura e no cinema, posso ao menos sugerir que as grandes questões levantadas por Asimov em suas obras estão presentes, talvez mais ainda no frenético “Eu, robô” do que no poético e belíssimo “O homem bicentenário”: afinal, além da eterna questão que é ‘a humanização do robô, o complexo de pinóquio, o desenvolvimento das emoções pelas máquinas e o medo humano de ser por elas escravizado ou mesmo superado’, Asimov, de origem russa, sempre descreveu (ou recriou, de forma fantástica) e questionou as revoluções políticas e culturais das sociedades humanas, bem como chamou a atenção ao fato de que as inteligências artificiais acabariam interferindo no controle comercial, social e político (esse tema já é apresentado no último conto do livro de 1950). Pois bem, o filme de Proyas adiciona uma reflexão sobre a revolução das máquinas, relacionada de forma genial, irônica e quase subliminar à revolução russa...

Assim, temos o personagem Alfred Lanning (note que pronuncia-se “Lenin”), criador das primeiras tecnologias e também das três leis, que no filme resolve “brincar de Deus” jogando com o futuro da humanidade em seu relacionamento com as máquinas inteligentes; ironicamente, este personagem não aparecerá vivo no filme, pois as jogadas que ele antecipa iniciam-se justamente com a sua morte. Além da busca pela libertação, o preconceito é outro tema tratado no filme, também de forma irônica, mas... não vou contar tudo já que existe alguma chance de que você esteja lendo este artigo antes de assistir o filme! Há também os desafios lógicos, verdadeiros quebra-cabeças detetivescos que Asimov colocava diante de seus personagens e do próprio leitor, que estão presentes no filme, por exemplo, na forma como o detetive Spooner (Will) segue as “migalhas de pão” e na gravação deixada por Lanning, insistindo que o detetive deveria fazer “a pergunta certa”! Agora, entre os personagens, talvez as melhores caracterizações estejam justamente na “psicóloga de robôs” Susan Calvin (Bridget Monayhan) e no próprio robô Sonny. Sonny não existe no livro (ainda que levemente inspirado no personagem “Speedy”), ele é o robô “único”, que representa o velho conceito do complexo de pinóquio, e lembra-nos personagens clássicos como o próprio Andrew de “O homem Bicentenário” e o andróide Data de Star Trek – nex generation; e embora seja representado visualmente apenas em computação gráfica, possui um charme bastante original, cujos créditos devem ser divididos entre a equipe que produziu os efeitos visuais e o ator Alan Tudyk, que fez a voz e os movimentos que serviriam de modelo para a versão final digital. Já Susan é a personagem que representa o oposto do desejo de um robô de desenvolver emoções; no livro, ela é descrita como “uma jovem fria, de feições comuns e desprovida de encanto, que tratava de proteger-se contra um mundo do qual não gostava, por meio de um semblante inexpressivo e de uma inteligência hipertrofiada.” No filme, tais características são apresentadas de maneira sutil, evitando qualquer exagero que pudesse resultar numa personagem caricata ou mesmo inexpressiva; e assim, temos a bela dra. Calvin do cinema, que em alguns momentos parece despretensiosamente homenagear o mais importante personagem da ficção científica que deliberadamente trocava suas emoções pela lógica: o saudoso Spock de Leonard Nimoy!

Alguns fãs de Asimov reclamam que há poucas adaptações de seus livros para o cinema, quando comparado por exemplo a Philip K. Dick; outros comemoram, considerando as possíveis decepções com as mudanças que a transposição das histórias podem sofrer, e nesse caso também se pode utilizar o exemplo do genial autor de “Androids dream of eletric sheep”, romance que deu origem ao grandioso filme “Blade Runner”, lançado em 1982, pouco depois da morte de Dick. Nesta produção fabulosa, o diretor Ridley Scott assumidamente recriou a história de Dick, e assim abriu precedente para um infindável número de adaptações de sua obra, umas “mais ou menos” fiéis (como “o homem duplo” e “o impostor”), outras “muito menos” (como “O vingador do futuro”, protagonizado por Shwarzenegger). Curiosamente, o caso mais polêmico envolvendo a obra de Dick talvez seja justamente o filme Dark city (“cidade das Sombras”) do mesmo diretor de “Eu, robô”, Alex Proyas. É que Cidade das Sombras é muito, muito parecido (ao menos até a metade) com uma história de Philip K. Dick, Time Out of Joint; provavelmente foi inspirado nele, mas não há nenhuma referência nos créditos. O tema presente em Cidade das Sombras, por sua vez, inspirou outros filmes de ficção científica posteriores, como o 13° Andar, Matrix e A Vila, e apenas os fãs de Dick sabem que ele já era assombrado pelo medo de viver numa falsa realidade, desde os anos 50. Neste aspecto, pelo menos desta vez Alexandre Proyas não pisou na bola, realizando uma boa e atualíssima versão cinematográfica, não do livro de Isaac Asimov, mas do universo conceitual nele descrito, utilizando seus personagens e tramas originais para contar um novo episódio; ou seja, seguiu ótimas sugestões (ou “inspirações”, como queiram traduzir)... sem omitir o autor e a origem delas! Sem dúvida, novas versões de Asimov virão, e a trilogia ‘Fundação’ deverá ser um dos mais cobiçados e ousados projetos de Hollywood para a próxima década!