sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
oras blogas
Abro mão de tomar o meu sol hoje! e oro no bloco de notas:
Senhor Deus, criador da vida! Inteligência do Universo, que eu não consigo compreender, exceto quando imagino q você seja uma mente suprema, mas parecida com a minha, ou melhor, que a minha percepção das coisas é um pouco parecida com a sua existência como um Indivíduo. Mas não sei se você é um indivíduo. Não sei quase nada a seu respeito, Pai, exceto o que me ensinaram na Igrja e o que a bíblia diz, e duvido da maioria das coisas que a Bíblia e que o sacerdote cristão dizem.
por outro lado, me comovo com hinos de louvor que por sua vez são tocados e cantados com emoção e beleza artística. e isso me ajuda a reconhecer que a fé é algo belo e importante em nossas vidas, e aumenta a minha esperança de que não estou só quando aparentemente estou só.
Então, quando estou só, oro. e o resultado do que acontece comigo, não tanto do que vem do mundo mas do que acontece em minha própria mente, é a minha experiência real com você, Deus. Muitas vezes acontecem coisas boas e gosto de acreditar que Deus está interferindo diretamente nas coisas, nos fatos ao meu redor. Mas nem sempre acontece algo que possa ser considerado uma resposta positiva ao que eu pedi e até implorei. Mas que graça teria se o meu Deus fizesse tudo o que peço?
Então o que peço é perdão pelos meus erros; discernimento, novas chances de ser feliz. e descubro que pra ser feliz eu preciso ajudar mais alguém a ser feliz. e descubro que essa é a mensagem principal de Deus na Bíblia judaico-cristã e, possivelmente, em outras importantes doutrinas como o Budismo e o Espiritismo; embora o principal mandamento seja "ame a Deus acima de todas as coisas", como vou amá-lo se você é a própria idéia do amor transformado em vida? então amando me aproximo de ti e vice-versa... é isso?
Não vejo você diante de mim nem ouço sua voz... pelo menos, não como um ser parecido comigo, conosco seres humanos. Mas às vezes tenho essas sensações, palpites acerca de como deveria agir em coisas pequenas, e que muitas vezes vão de fato CONTRA a minha vontade. "Desligar o computador", por exemplo. Mas eu tinha emails pra mandar, recados a conferir, desenhos no photoshop pra fazer... aí "desobedeço" a intuição que parece autoritária e insensata... e o computador trava, ou a conexão não funciona. continuo procurando mensagens até que vem a intuição misturada com a minha vontade, como se fosse um acordo: reinicie, conecte mais uma vez, mande o email, espie os recados e depois vá dormir. Mas aí alguém aparece na internet, responde, começo um papo... e deixo de dormir e descansar meu esqueleto pra que possa enfrentar com disposição esse dia seguinte.
Outras vezes a intuição do que você me diz vem em forma de imagens sim: o dedo sobre os lábios indicando que não é a hora de falar. Mas como, se as palavras querem sair, se o meu pensamento dói ficando aqui preso? da mesma forma, imagino um anjo ou Jesus Cristo indicando alguma direção com o braço quando estou indeciso. Fruto da minha imaginação, provavelmente. Meu inconsciente se manisfestando pra ajudar a tomar uma decisão mais ou menos complicada (mesmo que muitas vezes pareça nem ser importante analisando o contexto imediato). E então é assim que você age na minha mente, comunica-se, com a imaginação aflorando do meu próprio inconsciente?
Não sei dizer com certeza. Mas gosto de acreditar que você existe sim e que está me ajudando. Preciso acreditar nisso pra não enlouquecer. Não quero mais ficar sozinho no mundo nem no meu pequeno espaço, já abusei desse direito e hoje isso me oprime. Mas estou só a maior parte do tempo, moro nesse lugar bonito longe da cidade, convivo com meus cães, gatos, vejo pássaros, tenho algumas pessoas da família por perto, mas não tenho nesse momento um relacionamento de companheirismo. E diante dessa solidão opressora, tento"me aproximar" de ti. Faço, de ti, meu Deus, o Deus bonzinho que vai resolver os meus problemas, trazer a namorada de volta, curar minhas dores, influenciar juízes, me dar disposição para o trabalho ou numa expressão mais do que alegórica "expulsar de mim o demônio da preguiça"! e ao mesmo tempo, faço de você, Deus real ou imaginário, meu companheiro.
Deus real, eu aposto. Não sei como você faz pra ouvir bilhões de preces ao mesmo tempo, não teria sentido que um Deus único se preocupasse com meus problemas mesquinhos quando tantas famílias estão sendo arrasdas pelas chuvas, mortas, dilaceradas.
Mas eu preciso de ti, um Deus real que não compreendo e vou continuar apostando que você existe. e que todas essas coisas boas que aconteceram comigo, a força de vontade pra superar os vícios, o amor mais forte que tudo incentivando-me a não desistir, o carinho que aparece na hora derradeira, carinho humano ou do vento ou de um vento que toca apenas a alma... Sim, quero acreditar que tudo isso vem de você, Deus criador do Universo, da vida, Amor manifesto nos espíritos humanos. E se você é real deve bem mais do que tudo isso, talvez seja a consciência coletiva que um dia poderemos conquistar; e metaforicamante sempre gostei de imaginar você com um ficcionista que de fato deu vida e escolhas aos seu personagens, mas... a ciência jamais poderia admitir isso e você também é o Autor da ciência verdadeira que a humanidade busca, então me calo em minha ignorância.
Hoje, sigo minha vida orando e tentando lembrar q tenho escolhas importantes num universo compartilhado por muitos eus como eu. Quero ajudar alguém a ser feliz. Quero ter de volta um amor perdido, reconquistá-lo, ou reconquistá-lo numa nova parceria. Um colega me disse uma vez que "amar e ser amado" é a obsessão que herdamos de Deus; uma namorada me disse que encontra Deus quando acorda disposta pra um novo dia depois de um dia anterior ruim. O desejo de ser amado, eu acho, parece uma obsessão porque talvez seja a fome do espírito e essa fome pode ser saciada com um alimento verdadeiro e saudável, ou com gula insensata. do suor do meu rosto tirarei o meu pão, do pensamento dedicado ao próximo colherei meu amor? Bom, Deus, eu acho que voc~e está em todas as coisas realmente boas e como eu já lhe disse antes, tô apostando em você porque pareço não ter outra escolha. e se a tivesse, acho q iria prefereir "morrer como um homem bom (e iludido) do que viver como um homem mau", como disse o personagem de Leonardo di Caprio no filme Ilha do Medo. O tempo trará o resultado de minhas apostas, se minha decisão de apostar em ti permanecer forte. e aqui me agarro numa esperança que parece ilógica, pois se você é tão grandioso, supremo, manda no próprio tempo!
Acredito em você... e confio na redenção pelo Amor. Jesus Cristo... outro mistério no qual gosto de acreditar... foi ele quem melhor nos deu a mensagem do Amor e só por isso já vale minha esperança.
Amém.
fiquem todos com Deus. vale a vida!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
morre genio saramago
Em 1998 Saramago ganhou o prêmio Nobel, só que pra nós, aqui no Brasil, isso repercutiu bem menos do que deveria, considerando que ele foi o primeiro premiado cujos textos originais poderiam ser inteiramente compreendidos sem precisar de tradução! Ah, mas não era bem assim: compreendê-lo exigiria bem mais do que simplesmente ler, como fui perceber alguns anos mais tarde. Em 2001, quando entrei na faculdade de Letras (UEPG), fui pro
curar um livro dele na biblioteca da Universidade: ainda não havia nenhum! Em 2004 tive Literatura Portuguesa com a professora Silvana Oliveira, e o livro que analisamos foi “Memórias do Convento”, considerado o segundo grande romance do escritor. Puta confusão aquela narrativa épica em tempo presente, com vírgulas no lugar de parágrafos/travessões e pontuações afins, e pior ainda porque o meu exemplar era a cópia do xerox do cúmulo do facsímile, e literalmente eu tinha que decifrar alguns trechos borrados ou apagadinhos. Mesmo assim, no finalzinho do prazo antes do debate mergulhei no texto e, confesso que pulando alguns trechos, acostumei com a narrativa e voei junto com o padre Bartolomeu de Gusmão, Baltasar e Blimunda em sua aventura aérea cheia de analogias, homenagens e paródias: “Se não abrirmos a vela, continuaremos a subir, onde iremos parar, talvez ao sol”.Depois disso, mais um longo jejum até que Fernando Meirelles lançou sua segunda obra prima no cinema (a primeira foi Cidade de Deus), adaptando a obra “Ensaio sobre a cegueira” do Saramago, um dos filmes de ficção científica que mais me impressionou pela qualidade da narrativa; e olha que sou um devorador do gênero no cinema! Nesse momento Saramago voltava às discussões, à mídia, e com a ênfase na genialidade de sua obra aproveitei a primeira oportunidade que apareceu pra ler, finalmente, a sua obra que mais me despertava a curiosidade desde os anos 90: O evangelho segundo Jesus Cristo. Devorei o livro em duas semanas, no ano passado, e logo comecei a escrever a respeito. Mas aí eu quase já não estava mais postando textos na internet, porque fiquei um bom tempo sem conexão e desanimei; além disso escrever sobre “O evangelho...” implicava escrever sobre religião, e sobre a minha relação com o cristianismo, um assunto muito caro, complexo, que adoro discutir mas, quando se escreve para um público amplo, é preciso, antes, dialogar muito bem com a nossa própria experiência... e minha crítica parou no segundo parágrafo.
Hoje de manhã, levantei da cama com vontade de escrever, e começava a buscar no labirinto de fantasias uma ficção para um desses concursos de contos que minha amiga Thaty Marcondes fica divulgando no twitter; mas os problemas mais urgentes tomaram a minha mente, e já diante do computador conectado, fechei a página de notícias que se abria com a manchete bem grande sobre o jogo entre Alemanha e Sérvia que acontecia pela Copa da África do Sul, sem olhar mais nada, e iniciei uma busca no google por respostas a um problema técnico no computador da minha namorada. Quando finalmente cansei de ler tutoriais e discussões sobre softwares e hardwares, olhei para a janelinha do twitter onde duas pessoas haviam escrito o nome Saramago. Movendo a barrinha, vi que eram muitas pessoas, muitas mensagens. O grande gênio vivo da literatura portuguesa, e da literatura em língua portuguesa, não estava mais vivo. E é por isso que estou escrevendo hoje sobre Saramago, atrasando compromissos mais, ou menos importantes, e já recomecei a escrever a reflexão sobre ‘O evangelho segundo Jesus Cristo’ e sobre o cristianismo em si, texto que espero retomar e postar aqui em breve; porque o escritor TEM que escrever, em alguns momentos a força das idéias é mais forte do que tudo, até dói, e não importa tanto quem vai ler, ou quando, e se o que ele escreve vai obrigá-lo a sair do país ou gerar críticas terríveis sobre a sua pessoa... Saramago não se calou desde que descobriu que a palavra era a sua contribuição para desconstruir o mundo opressor e pouco racional que construímos através do poder econômico, do mau uso da religião; ou ao menos desconcertar nossas idéias, é o que ele fazia, faz através da obra que não morre, e é o que aconteceu comigo quando li “O evangelho...” e assisti o “Ensaio sobre a cegueira”: desconcertado, idéias desconstruídas, e vocês podem não acreditar, mas ler Saramago e suas contundentes ironias sobre a torpeza religiosa e a falência moral da sociedade ajudou a aumentar a minha esperança e até mesmo minha fé num Deus que continua atualizando suas escrituras, ou seu blog; e como dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, Ele também pode escrever sem travessões e pontos de interrogação, através de um homem que não se parece muito com um profeta, mas que como muitos profetas foi ameaçado, banido de seu país por escrever que o Deus que cultuamos pode ser, muitas vezes, o grande Demônio da crueldade humana. E temos aí apenas um dos vários grandes e importantes pontos de interrogação deixados pelo homem José Saramago, mortal, em sua obra imortal!
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Capitão Sky e o nostálgico mundo de amanhã!
Sky Captain and the world of tomorrow é essencialmente um desenho animado de última geração, feito com atores reais (Gwyneth Paltrow, Jude Law e Angelina Jolie encabeçam o elenco); mas também se parece com um filme de ficção científica dos anos 50 filmado no início do século XXI, ou com um vídeo-game dos anos 90 de batalhas aéreas e aventuras arqueológicas, mas em formato de cinema. A história tem ainda inúmeros elementos dos quadrinhos de ficção científica e também dos seriados de aventura do cinema dos anos 1930, nesses casos coincidindo cronologicamente com a época em que ela acontece, e o tratamento de imagem na maior parte das cenas faz com que pareça um filme preto e branco colorizado por computador (o que, até certo ponto, foi o que aconteceu). Assim, mesmo que você nunca tenha visto nenhuma cena do filme, é bem provável que a sensação deja vu, ou “de já vi isso antes”, o arrebate em diversos momentos. Muito bem contextualizadas na história, e portanto, descaradamente sutis (rs), ali estão homenagens, referências ou simplesmente inspirações dos quadrinhos de Buck Rogers, Flash Gordon e Tarzan, dos gibis da EC comics dos anos 50, dos desenhos animados do Superman de Michael Fleisher, de clássicos do cinema de FC como O Planeta Proibido e Guerra dos Mundos, etc. Mesmo assim, o filme não é uma sátira ou paródia de nenhum outro, tampouco um filme B, ainda que a coisa toda tenha começado de forma independente na garagem do roteirista e diretor Kerry Conrad, e que os produtores e animadores tenham, inicialmente, realizado grande parte dos efeitos especiais com tecnologia e recursos estruturais limitados, até que, por uma questão de prazos, terceirizaram a realização de parte da computação gráfica.
Produzido na mesma época que o longa-metragem de animação Steamboy, do cineasta japonês e ex-mangaká katsuhiro Otomo, Capitão Sky se parece muito com este no gênero de aventura épica e tecnológica. Pela maneira como abusa das leis da física, do desenho dos cenários, e exagera no heroísmo e na vilania de seus personagens, bem poderia ser, de fato, um anime. Mas é um filme live-action, interpretado por bons atores (que gravaram todas as suas cenas diante de fundos azuis), com cenários nostágicos (cuidadosamente montados com fotos e concepções artísticas em 2 e 3 dimensões), e muitos, muitos robôs e geringonças futuristas (animados em computação gráfica e inspirados nos designs da ficção científica de meados do século passado). Além de tudo isso, tem humor e romantismo inteligentes, garantindo boa diversão, apesar de certa ideologia inocentemente direitista, seguindo a tradição dos antigos filmes e quadrinhos de FC mais populares, e em oposição às grandes obras literárias do gênero.Obrigatório para fãs de quadrinhos, animes e filmes clássicos de ficção científica, para admiradores de fantastic art, art deco e noir, e também uma boa indicação para quem gosta de rpg e videogames de aventura.
Sky Captain and the World of Tomorrow
Ficção Científica, 107 minutos, 2004
Direção e roterio: Kerry Conran
Produção: Jon Avnet, Sadie Frost, Jude Law e Marsha Oglesby
Desenho de Produção: Kevin Conran (com a participção de Stella Mccartney nos figurinos)
Elenco: Gwyneth Paltrow, Jude Law, Giovanni Ribisi, Angelina Jolie e Laurence Olivier.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Tempo instável

Chegamos ao verão de 2009 com nova seca aqui no Sul, semelhante àquela de 2006. Desta vez foi mais forte justamente na minha região. Ponta Grossa chegou a ficar mais de três meses praticamente sem chuvas (praticamente porque houve garoas ou chuvas muito rápidas em pontos isolados; mas mais isolados ficamos nós, aqui ao norte da cidade próximos às margens do rio Pitangui, onde essas garoas não vieram e os olhos d’água de que dependem muitas famílias estavam quase secando). Aí recomeçaram as chuvas, no outono, e de repente tivemos o frio antecipado, com sucessivas geadas fortes, justamente no final do mês de maio. Na natureza, um dos resultados da seca de verão e geadas antecipadas de outono foi que praticamente não tivemos temporada de frutas nativas, especialmente as mirtáceas (goiabas, jabuticabas e araçá...). Na lavoura, claro, os agricultores sofreram com a seca e agora... sofrem com as chuvas!
Verão seco e inverno chuvoso, nessa região onde o normal seria exatamente o contrário. Eu pessoalmente, até comemoraria o inverno úmido e menos gelado, pois assim há menos queimadas, que em invernos normalmente mais secos originam grandes incêndios florestais, devido não apenas ao ar seco mas especialmente à vegetação semi-seca, atingida pelas geadas. Menos queimadas, por enquanto, mas uma grande preocupação com esse desequilíbrio. Se a umidade do ar continuar alta e as geadas não vierem, poderemos ter um excesso de mosquitos na primavera, por exemplo, inclusive do aedes egypti que até poucos anos atrás nem existia por essas bandas.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
EXTERMINADOR DO FUTURO - A SALVAÇÃO

Sem o criador e diretor James Cameron desde o filme anterior, e agora sem o andróide republicano (não confundir com replicante, esse era de Blade Runner) Schwarzenegger, a série de ficção científica mais popular do cinema depois de star wars sobrevive e parece ter fôlego para ir ainda muito mais longe! Christian Bale interpreta um John Connor maduro, com seus trinta e poucos anos em 2018, enquanto Anton Yelshin representa seu pai (!) kyle Reese, ainda adolescente nesse mesmo futuro pós-apocalíptico, gerando um paradoxo interessantíssimo que, aliás, poderia ter sido um pouco melhor explorado no roteiro. A direção também não é das melhores, mas o pouco conhecido McG (Joseph McGinty Nichol) pelo menos faz bem melhor, nessa superprodução, do que fizera com os dois filmes d’As panteras. Pudera! Depois que o próprio Cameron desdobrou o roteiro simplíssimo do primeiro filme (
Salvação traz ainda ainda Moon Bloodgood no papel da guerreira Blair Williams, ofuscando Brice Howard Dallas a quem deram o papel de uma Kate Connor (ex Kate Brewster) grávida e pouco significativa. Outra personagem importante é a pequena Star (Jadagrace), uma menina negra de uns dez anos que acompanha e auxilia o jovem Kyle em sua desigual luta contra as máquinas, dando um gostinho de Frank Miller ao roteiro de John Brancato e Michael Ferris. 
Falando em “gostinho”, tem uma cena em que aparece um depósito de combustíveis, que acaba explodindo, com os carros sucateados e tunados fugindo de um robô gigante lembrando o genial Mad Max 2 (exceto pelo robô gigante... rs). Se foi uma homenagem deliberada, bastante justa, afinal o estilo da aventura deve alguma coisa aos pioneiros futurist road movies protagonizados pelo então jovem Mel Gibson. Homenagem ou não, outra cena curiosa foi o momento em que
quinta-feira, 11 de junho de 2009
ZEITGEIST - o espírito do tempo e o fantasma das conspirações
O filme começa com belíssimas animações e imagens científicas (me pareceram extraídas da clássica série “cosmos”, de Carl Sagan, mas não é o que diz a referência) logo substituídas por cenas da tragédia do WTC e de diversas guerras. Em seguida entra uma narrativa e um discurso, respectivamente atribuídos a Jordan Maxuell e George Callin, este último fazendo chacota com as instituições religiosas e seu paradoxal Deus amoroso, impiedoso e capitalista. O discurso é acompanhado de divertidas animações, e só esta introdução cheia de efeitos (especiais e psicológicos) já nos dá a idéia de que Zeitgeist é uma cuidadosa produção e, embora contrária à tendência da grande mídia, também bastante tendenciosa e não necessariamente “independente”.
A primeira parte fala sobre religião, e utiliza-se bastante dos livros do egiptólogo Gerald Massey, que compara semelhanças entre o “mito” Jesus Cristo e outros mitos mais antigos, especialmente de Horus, uma espécie de “messias” egípcio (segundo Massey), filho do Deus-Sol. O paralelo entre os dois símbolos religiosos é bastante interessante, mas o filme comete a grande gafe de sensacionalizar as informações apresentadas, ironizando e desprezando as diversas crenças dos povos antigos, e especialmente o judaísmo e o cristianismo. Mesmo assim, o ponto mais importante desta primeira parte do filme são justamente as informações teológicas (e astrológicas); mas a narrativa cai em contradição ao desdenhar a religião e a teologia, chamando a ambas de “grandes mentiras”, embora se utilize justamente de conhecimentos da teologia, ou seja, o estudo das religiões, em seu aspecto histórico-científico. Em minha opinião, o exagero em tentar desacreditar as religiões e a própria fé, sem mostrar os aspectos positivos/humanos e respeitar a importância antropológica das culturas religiosas pode ter comprometido a credibilidade sobre todo o belíssimo, impressionante e revolucionário trabalho de pesquisa e produção do filme, que termina falando em amor e revolução, mostrando frases e fotos de Hendrix, Lennon, Luther king, Gandhi e Carl Sagan (frases que parecem, em certo sentido, bastante “religiosas”), sem poder incluir entre esses “heróis” qualquer frase de Jesus Cristo, depois de ter insinuado que esse personagem pode nunca ter existido... Assim, fica a impressão de que o excelente material apresentado nas partes seguintes do filme, com importantes informações que governos, mídia e história oficial(?) preocuparam-se em esconder ou distorcer, foi utilizado tendenciosamente, associado pela produção do filme a uma infeliz propaganda anti-religiosa que, uma vez radical, assemelha-se muito ao que dentro das religiões chamamos de fanatismo. Ou então, os produtores do filme simplesmente descobriram, de repente, os livros de Gerald Massey (que já têm aproximadamente um século!), ficaram impressionados com as informações sobre os paralelos entre as antigas religiões, acreditaram em tudo sem buscar as refutações de outros pesquisadores, acharam que tinham aí revelações bombásticas sobre a manipulação dos povos através da criação de mitos religiosos, e que tais informações bastariam para desmascarar toda instituição religiosa. Melhor seria se, utilizando a mesma linha adotada nas partes seguintes, tivessem neste segmento mostrado mais dados históricos (e até mesmo especulações) sobre a forma como o império romano e mais tarde outros tantos impérios apoderaram-se dos mitos (ainda não manipuladores e geralmente opositores dos sistemas de poder, em suas origens). Se Cristo é um mito e a definição utilizada para tal é de que “mito” é uma “falsa idéia” capaz de arregimentar uma imensidão de seguidores, qual argumento excluiria as imagens-símbolos de Hendrix e Lennon dessa mesma classificação? Além disso, existe para os pesquisadores um Cristo histórico, procurado e hoje já encontrado em outras pistas além dos muitos evangelhos (dos quais apenas quatro compõe a bíblia oficializada), e este, como personagem potencialmente humano, é completamente ignorado em Zeitgeist. Como mensagem de conscientização e de revolução através da consciência, esta primeira parte do filme fracassa ao “rotular” o cristianismo como um instrumento apenas de alienação, esquecendo-se que em sua origem os próprios cristãos eram revolucionários, idealistas e extremamente perseguidos por Roma, quando não pelos próprios religiosos judeus; mas salva-se pela riqueza de informações, que nos atiçam a curiosidade, e pela ótima qualidade da edição. No fim, todas as curiosidades sobre os paralelos (não plágios!) entre os mitos religiosos acabam, ao contrário do que dizem os narradores, reforçando a idéia da importância e dos mistérios que estes possuem na história da humanidade; mas a tendência anti-cristã pode também, como mencionei acima, desacreditar o trabalho como um todo, para muitos cristãos que não fazem a distinção entre mito, fé e história!
Na segunda parte, o filme fala quase exclusivamente sobre os eventos do “11 de setembro”. Eu já tinha visto outro filme, Loose Change, sobre a suposta conspiração do próprio governo americano aliado a banqueiros com interesses em obter lucros com a guerra, que teriam deliberadamente planejado ou ao menos participado dos ataques às torres do WTC e ao pentágono. Muitas informações, especialmente coisas que já tinham aparecido na mídia, repetem-se em ambos, outras se somam, mostrando um contexto em parte exibido pela própria mídia americana, em parte montado através de entrevistas exclusivas e especulações dos autores, onde é impossível não acreditar que, no mínimo, o governo americano esconde (e/ou confunde) a maior parte das informações reais acerca da tragédia. Causou-me um calafrio a foto mostrada de uma coluna de aço ‘cortada’ em diagonal, entre os destroços, exatamente como o engenheiro explicava que as vigas eram cortadas ao se preparar uma demolição; e em seguida o vídeo mostra o físico Dr. Steven Jones, que analisou destroços de metal fundido das estruturas do WTC e encontrou traços de “Termite” e “Thermate”, uma mistura química utilizada exclusivamente pelas indústrias de demolição controlada (essa informação foi recentemente confirmada em artigo numa publicação científica, The open Chemical phisics journal). Há outros indícios de que os prédios (as torres 1, 2 e 7, esta última, de 57 andares, misteriosamente ignorada pela mídia) foram mesmo preparados para implodir, mas esta versão permanece negada pelos relatórios oficiais até hoje...
A terceira parte fala sobre a economia, inclusive de guerra. Num passeio documental pela história econômica norte-americana, vemos como o sonho de liberdade foi vendido aos grandes banqueiros e a manipulação de uma série de importantes leis vem produzindo um poder econômico privado, brutal e há muito incontrolável (embora extremamente controlador) acima de todo e qualquer governo, caminhando em direção a um poder totalitário, centralizador sobre todas as economias (e vidas) do mundo. As partes mais interessantes ficam por conta do discurso de John Kennedy, proferido pouco antes de seu assassinato, ; e as explicações sobre como e porque os Estados Unidos realmente teriam participado das grandes guerras e da guerra do Vietnã, forçando ou forjando ataques inimigos, prática bastante aprimorada através das décadas até culminar em... 11 de setembro de 2001!
Bom, o final do filme eu já contei, né... hahaha. Engraçado que ao ouvir as palavras de Carl Sagan, falando sobre uma “nova consciência, que vê a Terra como um só organismo”, eu lembrei (além do Fritjof Capra) justamente de Leonardo Boff, ex-padre, ex-adepto da Teologia da Libertação e atualmente seguidor dessa linha holística, uma espécie de “Ecoteologia”, mas ainda assim teologia... afinal, se não tivermos a dúvida e a esperança de e em um Deus, de onde viemos e pra onde vamos???
Num balanço geral, o filme é muito bom, chega a ser emocionante em vários trechos, e aliás, foi produzido e editado justamente com essa intenção; o que também o torna tendencioso, ideológico, quase doutrinário, e vale ainda citar que alguns trechos reproduzem inflamados discursos anti-religiosos ou anti-capitalistas, feitos por apresentadores de televisão americanos que se utilizam exatamente das mesmas técnicas de retórica usadas por pastores evangélicos radicais e políticos populistas! Mas a grande questão que o filme propõe é real, e bastante séria: vida, morte e informação estão sendo manipuladas por pessoas, governos e instituições muito poderosas, talvez como nunca antes! Voltarei a falar sobre Zeitgeist e o 11/09 num próximo texto onde comentarei o Loose Change, outro filme um pouco mais jornalístico, acerca deste mesmo assunto!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
i´m back
Deverei retomar, no blog, a idéia original de comentar cinema, literatura, quadrinhos e artes afins; mas as atualizações dependerão da disponibilidade da minha conexão ou de utilizar outros meios como as lan-houses, que redescobri recentemente depois de uma fase atemporal sem TV nem internet em casa, mas produzindo e divulgando meu livro Desenhos de Linguagem, o que me obrigou a me tornar menos eremita e um pouquinho mais cidadão ou, como um certo personagem onde a ficção inspira a vida, um curumim urbano.